A saída

portãoDesceu as escadas de granito húmidas de cinzento. Rodou o tronco para trás mas não olhou. As folhas das árvores, tingidas de outono, ressoavam na calçada fustigadas pelo vento.
Apressou a passada e sentiu a aragem fria.
A dor no peito confundiu-se com a amargura das árvores ao entardecer. As suas sombras acrescentavam negritude ao cinzento da tarde.
Chegou aos tropelões ao grande portão que se agarrava como podia às pedras soltas do muro que já fora muralha da china.
Agarrou a ferrugem tingida de verde. Quis olhar para trás novamente mas a dor enfraqueceu-lhe a vontade. Demorou-se no ranger das velhas dobradiças de ferro. Morreu aí o tempo.

~ por akronis em 25 25UTC Janeiro 25UTC 2008.

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